NOÇÕES BÁSICAS DE

 

Higiene Vocal

 

(CUIDANDO DA VOZ PROFISSIONAL)

 

 

Elaborado por:

Dr. Antônio Jorge

Médico do Trabalho especialista pela AMB / ANAMT

Coordenador do Programa de Saúde Vocal do SINEPE / DF

 

 

 

O QUE É A VOZ?

 

É um dos meios mais poderosos de interação humana.

Constitui-se no modo básico de comunicação entre as pessoas.

Ela é produzida pela laringe a partir de um som básico chamado de “buzz”. Encontramos nessa laringe duas dobras formadas por músculos e mucosa. São as chamadas CORDAS VOCAIS. Na produção da voz, essas cordas se unem e vibram. Você pode sentir essa vibração colocando sua mão no pescoço enquanto fala. Depois, o som percorre um importante trajeto entre a boca, o nariz e a caixa craniana que funciona como um amplificador do som gerado na laringe. Destaca-se também, a função dos lábios e língua, para que o som primordial seja entendido como linguagem falada.

 

COMO CONTROLAMOS NOSSA VOZ ?

 

Talvez você já tenha percebido, temos uma voz para cada ocasião:

em casa, na escola, na intimidade, nas alegrias e nas tristezas.

Podemos modificá-la tornando-a: mais limpa, mais grossa, mais fina, mais melosa, mais rouca, etc.

Essas modificações ocorrem de maneira quase que inconsciente, alterando se alguns moduladores do trato vocal. Em muitas ocasiões, fazemos o uso incorreto desses moduladores pondo em risco a saúde de nossa voz. São nessas ocasiões que aparece a DISFONIA.

 

O QUE É A DISFONIA?

 

DISFONIA é qualquer dificuldade na emissão da voz que impeça sua produção natural. É um sintoma em vários diferentes distúrbios conhecidos como laringopatias.

São classificadas em FUNCIONAIS; quando há o sintoma, porém não encontramos alterações estruturais tais como: calos, fendas ou tumores nas cordas vocais à luz da laringoscopia (exame que permite a visualização das cordas vocais) e em ORGÂNICAS, àquelas com as alterações já citadas.

O pigarro que incomoda no final do dia de trabalho, uma rouquidão passageira ou um dolorimento para falar que melhora com o descanso e, aparentemente é “NORMAL PARA A PROFISSÃO”, são sintomas da disfonia.

Cabe ainda dizer que a DISFONIA FUNCIONAL, transitória, que melhora com o repouso da voz, pode causar, ao longo dos anos, a DISFONIA ORGÂNICA, levando algumas vezes à incapacitação do profissional.

Uma pesquisa realizada em 2000, por mim, entre os professores dos níveis médio e fundamental da rede particular de ensino do Distrito Federal, revelou que 55,7 % dos pesquisados apresentavam sintomas compatíveis com a disfonia funcional.

Então, O QUE FAZER ?

 

 

O QUE É HIGIENE VOCAL?

 

São normas básicas que auxiliam a preservar a Saúde Vocal e PREVENIR o aparecimento da disfonia.

Nossa voz deve ser: limpa, clara, emitida sem esforço e agradável ao ouvinte. O primeiro passo nesse caminho é conscientizar-se do problema.

Também é necessário o conhecimento dos inimigos da voz e dos hábitos saudáveis à boa emissão vocal.

 

QUAIS SÃO OS INIMIGOS DA VOZ?

 

FUMO: altamente nocivo. Ao tragar, a fumaça quente agride todo o sistema respiratório, causando irritação, aumento das secreções (pigarro), inchaço das cardas vocais. É um dos principais fatores desencadeantes do câncer de laringe e de pulmão. O fumante passivo, também sofre as mesmas conseqüências.

ÁLCOOL: funciona de modo semelhante ao fumo, principalmente os destilados, além de anestesiar o trato vocal e permitir que os abusos sejam cometidos sem serem percebidos.

DROGAS ILÍCITAS: todas lesivas para o aparelho vocal.

POSTURAS CORPORAIS INADEQUADAS: geralmente está relacionada à uma emissão de voz deficiente. O corpo deve estar livre para acompanhar o discurso livremente, sem movimentação excessiva. O movimento harmônico favorece a movimentação livre da laringe e a produção adequada da voz.

POLUIÇÃO: o efeito nocivo é semelhante ao do fumo. Uma situação de risco é o uso da fumaça artística (gelo seco), a base de glicol.

ALERGIAS: principalmente as respiratórias (asma, bronquite, rinite) afetam mais pronunciadamente a produção da voz. É fundamental o seu controle, além de saber evitar os alergenos (desencadeadores das alergias). Seu médico ALERGISTA saberá aconselhá-lo.

ALIMENTAÇÃO ADEQUADA: a obesidade afeta negativamente a produção da voz. A ÁGUA, essencial à vida é também fundamental para o aparelho vocal. Ela lubrifica a laringe, dilui a produção do muco e melhora a limpeza de resíduos nocivos trazidos pelo ar. Habitue-se a levar para dentro da sala de aula uma “garrafinha” com água potável e natural e tome goles periódicos durante suas aulas. Além dos benefícios intrínsecos da água, sua laringe será massageada e o repouso momentâneo permitirá a recomposição do tônus das cordas vocais. Evite a qualquer custo os alimentos e líquidos gelados. É saudável o hábito de comer maçã. Seu poder de limpeza é reconhecido.

AR CONDICIONADO: o resfriamento do ambiente leva à diminuição da umidade do ar do ambiente. O ar seco é prejudicial à voz.

VESTUÁRIO: use roupas que não “apertem” o pescoço, tórax e o abdômen.

ESPORTES: pratique sempre uma modalidade qualquer. Dê preferência à natação ou mesmo à caminhada. Evite falar durante uma atividade física, mesmo durante a caminhada. Você deve concentrar-se em regular os movimentos respiratórios.

MEDICAMENTOS: a auto-medicação é condenável. O uso inadvertido de alguns medicamentos pode pôr em risco sua saúde vocal, como por exemplo: 1) –  a aspirina pode provocar sangramentos nas cordas vocais, 2) – os “sprays” nasais podem provocar irritação local e efeito “rebote”, com piora da obstrução nasal, 3) – a vitamina C em altas doses causa ressecamento secundário das cordas vocais, 4) – antitussígenos são também causadores de ressecamento das cordas vocais.

REMÉDIOS CASEIROS: para os sintomas da disfonia ainda carecem de estudos controlados sobre a eficácia de seus efeitos. Alguns são sabidamente prejudiciais como café quente rematado com um copo de água.

NA DÚVIDA CONSULTE UM MÉDICO.

 

 

Podemos desenvolver hábitos e atitudes saudáveis para uma boa voz.

Aqui estão algumas sugestões.

 

 

DICAS BÁSICAS PARA UMA BOA EMISSÃO VOCAL

 

â Beba muita água ao longo do dia. Principalmente durante as aulas.

â Evite o fumo e o álcool. Modere também a ingestão de cafeína.

â Evite alimentos muito condimentados.

â Nas gripes, resfriados ou qualquer quadro infeccioso do aparelho respiratório superior diminua ao máximo o uso de sua voz.

â Evite falar mais alto do que o necessário.

â Evite usar voz muito grave (grossa) ou muito aguda (fina), fora de seu tom habitual.

â Evite excessivas e longas ligações telefônicas, principalmente quando há ruído de fundo.

â Evite conversar em ambientes ruidosos.

â Evite falar enquanto faz exercícios físicos ou carrega peso.

â Sempre articule corretamente as palavras, abrindo bem a boca para amplificar o som.

â “Aqueça” sua voz com exercícios apropriados [orientados por fonoaudiólogo(a)] antes de usá-la de modo intensivo.

â Evite sempre que puder o ar condicionado.

â Deixe o corpo movimentar-se livremente, acompanhando a fala com gestos e expressões faciais.

â Use sempre roupas que não apertam a região do pescoço, do tórax ou abdômen.

â Evite bater o apagador para retirar o pó de giz.

â Apague o quadro negro sempre de cima para baixo

â Fale sempre virado para a sua turma.

â Opte por alimentos não gelados.

â Jamais grite.

â Faça com que suas aulas sejam cada vez menos expositivas.

â Converse com seu coordenador para que seja evitado o maior número de aulas duplas possível.

â Faça sempre um repouso vocal nos intervalos das aulas.

â Evite forçar a voz em outras atividades além de lecionar.

â Evite freqüentar pistas de danças com gelo seco.

â Evite pigarrear.

â Nunca se auto-medique.

 

 

CASO SUA VOZ PERMACEÇA ALTERADA POR MAIS DE 07 DIAS, APESAR DO REPOUSO VOCAL, PROCURE UM MÉDICO.