Higiene
Vocal
(CUIDANDO DA VOZ
PROFISSIONAL)
Elaborado por:
Coordenador do Programa de
Saúde Vocal do SINEPE / DF
O QUE É
A VOZ?
É um dos meios mais poderosos de interação humana.
Constitui-se no modo básico de comunicação entre
as pessoas.
Ela é produzida pela laringe a partir de um som
básico chamado de “buzz”.
Encontramos nessa laringe duas dobras formadas por músculos e mucosa. São as
chamadas CORDAS VOCAIS. Na produção da voz, essas cordas se unem e vibram. Você
pode sentir essa vibração colocando sua mão no pescoço enquanto fala. Depois, o
som percorre um importante trajeto entre a boca, o nariz e a caixa craniana que
funciona como um amplificador do som gerado na laringe. Destaca-se também, a
função dos lábios e língua, para que o som primordial seja entendido como
linguagem falada.
Talvez você já tenha percebido, temos uma voz
para cada ocasião:
em casa, na escola, na intimidade, nas alegrias e
nas tristezas.
Podemos modificá-la tornando-a: mais limpa, mais
grossa, mais fina, mais melosa, mais rouca, etc.
Essas modificações ocorrem de maneira quase que
inconsciente, alterando se alguns moduladores do trato vocal. Em muitas
ocasiões, fazemos o uso incorreto
desses moduladores pondo em risco a saúde de nossa voz. São nessas ocasiões que
aparece a DISFONIA.
O QUE É
A DISFONIA?
DISFONIA é qualquer dificuldade
na emissão da voz que impeça sua produção natural. É um sintoma em vários
diferentes distúrbios conhecidos como laringopatias.
São classificadas em FUNCIONAIS; quando há o
sintoma, porém não encontramos alterações estruturais tais como: calos, fendas
ou tumores nas cordas vocais à luz da laringoscopia (exame que permite a
visualização das cordas vocais) e em ORGÂNICAS, àquelas com as alterações já
citadas.
O pigarro que incomoda no final do dia de
trabalho, uma rouquidão passageira ou um dolorimento para falar que melhora com
o descanso e, aparentemente é “NORMAL PARA A PROFISSÃO”, são sintomas da
disfonia.
Cabe ainda dizer que a DISFONIA FUNCIONAL,
transitória, que melhora com o repouso da voz, pode causar, ao longo dos anos,
a DISFONIA ORGÂNICA, levando algumas vezes à incapacitação do profissional.
Uma pesquisa realizada em 2000, por mim, entre os
professores dos níveis médio e
fundamental da rede particular de ensino do Distrito Federal, revelou que 55,7 % dos pesquisados apresentavam
sintomas compatíveis com a disfonia funcional.
Então, O QUE FAZER ?
O QUE É
HIGIENE VOCAL?
São normas básicas que auxiliam a
preservar a Saúde Vocal e PREVENIR o
aparecimento da disfonia.
Nossa voz deve ser: limpa, clara, emitida sem
esforço e agradável ao ouvinte. O primeiro passo nesse caminho é
conscientizar-se do problema.
Também é necessário o conhecimento dos inimigos da voz e dos hábitos saudáveis à boa emissão vocal.
QUAIS
SÃO OS INIMIGOS DA VOZ?
FUMO: altamente nocivo. Ao tragar, a fumaça
quente agride todo o sistema respiratório, causando irritação, aumento das
secreções (pigarro), inchaço das cardas vocais. É um dos principais fatores
desencadeantes do câncer de laringe e de pulmão. O fumante passivo, também
sofre as mesmas conseqüências.
ÁLCOOL: funciona de modo semelhante ao fumo, principalmente os
destilados, além de anestesiar o trato vocal e permitir que os abusos sejam
cometidos sem serem percebidos.
DROGAS ILÍCITAS: todas lesivas para o aparelho vocal.
POSTURAS CORPORAIS INADEQUADAS: geralmente está
relacionada à uma emissão de voz deficiente. O corpo deve estar livre para
acompanhar o discurso livremente, sem movimentação excessiva. O movimento
harmônico favorece a movimentação livre da laringe e a produção adequada da
voz.
POLUIÇÃO: o efeito nocivo é semelhante ao do fumo. Uma situação de
risco é o uso da fumaça artística (gelo seco), a base de glicol.
ALERGIAS: principalmente as respiratórias (asma,
bronquite, rinite) afetam mais pronunciadamente a produção da voz. É
fundamental o seu controle, além de saber evitar os alergenos (desencadeadores
das alergias). Seu médico ALERGISTA saberá aconselhá-lo.
ALIMENTAÇÃO ADEQUADA: a obesidade afeta negativamente a produção da
voz. A ÁGUA, essencial à vida é
também fundamental para o aparelho vocal. Ela lubrifica a laringe, dilui a
produção do muco e melhora a limpeza de resíduos nocivos trazidos pelo ar.
Habitue-se a levar para dentro da sala de aula uma “garrafinha” com água
potável e natural e tome goles periódicos durante suas aulas. Além dos
benefícios intrínsecos da água, sua laringe será massageada e o repouso
momentâneo permitirá a recomposição do tônus das cordas vocais. Evite a
qualquer custo os alimentos e líquidos gelados. É saudável o hábito de comer maçã. Seu poder de limpeza é
reconhecido.
AR CONDICIONADO: o resfriamento do ambiente leva à diminuição da
umidade do ar do ambiente. O ar seco é prejudicial à voz.
VESTUÁRIO: use roupas que não “apertem” o pescoço, tórax e o abdômen.
ESPORTES: pratique sempre uma modalidade qualquer. Dê preferência à
natação ou mesmo à caminhada. Evite falar durante uma atividade física, mesmo
durante a caminhada. Você deve concentrar-se em regular os movimentos
respiratórios.
MEDICAMENTOS: a auto-medicação é condenável. O uso
inadvertido de alguns medicamentos pode pôr em risco sua saúde vocal, como por
exemplo: 1) – a aspirina pode provocar
sangramentos nas cordas vocais, 2) – os “sprays” nasais podem provocar
irritação local e efeito “rebote”, com piora da obstrução nasal, 3) – a
vitamina C em altas doses causa ressecamento secundário das cordas vocais, 4) –
antitussígenos são também causadores de ressecamento das cordas vocais.
REMÉDIOS CASEIROS: para os sintomas da disfonia ainda carecem de
estudos controlados sobre a eficácia de seus efeitos. Alguns são sabidamente
prejudiciais como café quente rematado com um copo de água.
NA
DÚVIDA CONSULTE UM MÉDICO.
Podemos desenvolver
hábitos e atitudes saudáveis para uma boa voz.
Aqui estão algumas
sugestões.
DICAS
BÁSICAS PARA UMA BOA EMISSÃO VOCAL
â Beba muita água ao longo
do dia. Principalmente durante as aulas.
â Evite o fumo e o álcool.
Modere também a ingestão de cafeína.
â Evite alimentos muito
condimentados.
â Nas gripes, resfriados
ou qualquer quadro infeccioso do aparelho respiratório superior diminua ao
máximo o uso de sua voz.
â Evite falar mais alto do
que o necessário.
â Evite usar voz muito
grave (grossa) ou muito aguda (fina), fora de seu tom habitual.
â Evite excessivas e
longas ligações telefônicas, principalmente quando há ruído de fundo.
â Evite conversar em
ambientes ruidosos.
â Evite falar enquanto faz
exercícios físicos ou carrega peso.
â Sempre articule
corretamente as palavras, abrindo bem a boca para amplificar o som.
â “Aqueça” sua voz com
exercícios apropriados [orientados por fonoaudiólogo(a)] antes de usá-la de
modo intensivo.
â Evite sempre que puder o
ar condicionado.
â Deixe o corpo
movimentar-se livremente, acompanhando a fala com gestos e expressões faciais.
â Use sempre roupas que
não apertam a região do pescoço, do tórax ou abdômen.
â Evite bater o apagador
para retirar o pó de giz.
â Apague o quadro negro
sempre de cima para baixo
â Fale sempre virado para
a sua turma.
â Opte por alimentos não
gelados.
â Jamais grite.
â Faça com que suas aulas
sejam cada vez menos expositivas.
â Converse com seu
coordenador para que seja evitado o maior número de aulas duplas possível.
â Faça sempre um repouso
vocal nos intervalos das aulas.
â Evite forçar a voz em
outras atividades além de lecionar.
â Evite freqüentar pistas
de danças com gelo seco.
â Evite pigarrear.
â Nunca se auto-medique.
CASO
SUA VOZ PERMACEÇA ALTERADA POR MAIS DE 07 DIAS, APESAR DO REPOUSO VOCAL,
PROCURE UM MÉDICO.